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Tópico: Excesso e/ou Escassez de Água

  1. #1
    Senior Member Avatar de vinicius santiago
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    Excesso e/ou Escassez de Água

    O assunto tá bombando e ontem li um texto no estadão que me agradou em muito, ainda que não concorde com ele em tudo.

    Daí resolvi colar aqui porque ele começa com o consenso mas gera o dissenso depois.



    Crise Hídrica? Que crise? Não existe nenhuma crise hídrica!

    Citação Postado originalmente por http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/dener-giovanini/crise-hidrica-que-crise-nao-existe-nenhuma-crise-hidrica/
    Ao contrário do que governos, imprensa e até organizações ambientalistas afirmam, não existe nenhuma crise hídrica no Brasil. Classificar o que está acontecendo com os recursos hídricos nos maiores Estados do país como “crise” é reduzir e limitar a real compreensão dos fatos.

    Crises são acontecimentos abruptos e momentâneos. Um momento difícil na existência, quando enfrentamos – na maioria das vezes – situações quase sempre alheias a nossa vontade.

    Podemos ter uma “crise renal” quando o nosso corpo sofre um ataque bacteriano ou quando as nossas funções nefrológicas falham subitamente. Podemos ter uma “crise no casamento” quando os conjugues descobrem segredos ocultos ou quando se desentendem por alguma razão. Podemos ter uma “crise ministerial” quando algum ministro fala pelos cotovelos ou quando o seu chefe imediato o desautoriza em público. Podemos ter uma “crise financeira” quando perdemos o emprego ou quando enfrentamos uma doença na família. Podemos ter uma “crise política” quando os representantes do povo são pegos com a boca na botija ou quando o governo, não tendo mais como explicar desmandos, resolve censurar os críticos. Crises, como dito, são manifestações que nos pegam de surpresa, no pulo.
    Outra característica de uma crise é a sua temporalidade. Crises sempre acabam. Para o mal ou para o bem, em algum momento cessam. Crise que não cessa não é crise. Crise contínua não é crise, é doença crônica. Na relação conjugal, ou acaba a crise ou acaba o casamento.

    Nenhuma dessas características acima se aplica ao quadro de escassez de água em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Espírito Santo. A água não acabou do nada, de repente. E muito menos será uma situação passageira. O quadro que se instalou nesses Estados, particularmente em São Paulo, é irreversível. Pelo menos para o paulistano que nasceu na data de hoje. Ele, por mais longeva vida que tenha, não viverá como viveram seus antepassados.

    A falta de água não é uma “crise”, porque ela não é fruto de um acontecimento imprevisível. Não se trata de um capricho de São Pedro que, de uma hora para outra, resolveu castigar a Região Sudeste. Há mais de 10 anos os governos tinham informações técnicas confiáveis que as torneiras iriam secar a médio prazo.

    A falta de água não é uma “crise” porque ela não será passageira. Os fatores que levaram ao esvaziamento das represas não cessarão subitamente. Recuperar as Matas Ciliares que protegem os rios do assoreamento, reflorestar grandes áreas para manter a perenidade das nascentes, cessar o desmatamento da Mata Atlântica e da Amazônia, substituir uma prática agrícola predatória e, principalmente, adotar um novo modelo de desenvolvimento, não são medidas fáceis de serem adotadas e muito menos elas se encontram presentes na agenda dos atuais governantes. Quem acreditar nisso estará sendo, no mínimo, ingênuo. No caso dos políticos que tentam se justificar – chamando de crise o que permanente será – é pura leviandade mesmo.

    Por maiores que sejam os dilúvios que possam cair sobre as regiões que hoje enfrentam a escassez de água, a situação não irá mudar. E não mudará porque não existem sinais de que mudaremos as nossas práticas cotidianas. Os reservatórios até poderão encher, mas as razões que os levaram a secar continuarão e eles novamente voltarão a ser o que são hoje: terra seca. O nosso “balde natural” furou. E o rombo é muito maior do que a boca da torneira que o enche.
    O que acontece hoje em São Paulo e que se espelha em outras regiões do país, também não é um fenômeno natural. Aliás, eventos da natureza são absolutamente previsíveis. Até terremotos e tsunamis são cada vez mais antecipados pela ciência. Erupções Vulcânicas são identificadas meses antes de ocorrerem. Não existem “crises sísmicas” ou “crises vulcânicas”. Assim como não existem “crises hídricas”.
    Em se tratando de natureza, tudo é extremamente previsível, direto e muito simples: apesar de ser existencialmente complexo em sua essência, o ciclo da vida no planeta reage imperiosamente contra quem tenta interrompê-lo. A natureza nunca privilegiou os fracos ou os “desajustados”. Para continuar existindo, o ciclo da vida se renova constantemente a fim de eliminar as ameaças.

    Se não é uma crise, o que são então aquelas imagens de represas e açudes vazios? Simples a resposta: um colapso. Um “Colapso Hídrico”!
    Um colapso significa falência, esfacelamento e esgotamento.
    O colapso, ao contrário de uma crise, não é passageiro.
    O colapso, ao contrário de uma crise, é perfeitamente previsível.
    O “Colapso Hídrico” se instalou porque esgotamos o atual modelo de desenvolvimento, que privilegia a distribuição de lucros em detrimento dos investimentos em pesquisa e conservação ambiental.
    O “Colapso Hídrico” está acontecendo porque esfacelamos todas as oportunidades de adotarmos políticas públicas que priorizassem a modernização dos nossos recursos tecnológicos, para que diminuísse a pressão sobre os recursos naturais.
    O “Colapso Hídrico” continuará porque o nosso sistema político está totalmente falido e não é mais capaz de planejar a médio e longo prazo.

    O Brasil está começando a vivenciar o seu primeiro colapso ambiental. Outros virão. E as consequências são imprevisíveis. Um país que reduz 95% da Mata Atlântica, que incentiva a emissão de gases poluentes, através de políticas fiscais que estimulam o uso do transporte individual, que ignora a sistemática redução dos Biomas, que mantém uma produção agrícola ultrapassada, que produz leis como o Código Florestal e, principalmente, que elege políticos que não tem nenhum compromisso, a não ser com a perpetuação do poder para sustentar suas máquinas partidárias, está fadado a colapsar.

    A primeira e – a mais importante – medida que devemos adotar agora é assumir a realidade como ela é. Devemos ser francos e admitir que o que estamos vivendo não é uma crise e sim um colapso. O fim de um ciclo econômico que falhou.
    Não compreender – e aceitar – a diferença entre uma crise e um colapso é o mesmo que tratar gripe e câncer com chazinho caseiro. A gripe até pode passar, o câncer não. Ele sempre evolui. E para pior.

    As Polianas de plantão – principalmente aquelas que têm um grau maior de responsabilidade sobre o que está acontecendo – vão taxar esse texto de extremamente pessimista. Vão continuar espalhando sua visão romântica sobre o mundo, enquanto as gotas nas torneiras continuarão sumindo.
    Mas a verdade é que o sonho acabou. Ou mudamos ou sumimos. Simples assim.
    Colapso. Fica mais realista, mesmo parecendo exagerado.
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    P.S.: Ainda na eterna luta contra as matronas do politicamente correto.

  2. #2
    Senior Member Avatar de vinicius santiago
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    E no Acre o @thiaggosilva com enchente. Choveu em SP? Enchente.

    Bagunçamos com o brinquedo, agora o brinquedo quer se consertar.
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  3. #3
    Senior Member Avatar de YanCurtis
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    Concordo no texto quando ele cita colapso como sinônimo de esgotamento, discordo quando ele cita que o esgotamento ocorre por uma "revanche natural" do sistema ou colapso ambiental. Isso não é assim... Estados Unidos, por exemplo, não tem tanta agua e consome MUIIITO mais que nós... os japoneses então? se viram até tirando agua de geleira e, até onde sei, estão gerindo bem o problema. Holanda tira agua da terra porque não tem muito aonde encontrar na superfície... etc

    O grande problema de SP é a ineficiência na gestão de aguas que acabou não nos preparando para esse ciclo de estiagem citado pelo autor:
    - Temos o rio Tietê e Pinheiros que cortam nossa cidade e não usamos eles porque decidimos jogar o sistema de esgoto junto com o escoamento de aguas de chuva nele...
    - Estima-se que de 30% a 40% da agua potável é desperdiçada por vazamentos e problemas no encanamento da cidade
    - Muitos prédios e casas não estão preparados com caixas d'agua para armazenamento na quantidade necessária para que fiquem com agua mesmo se cortarem o abastecimento por 1 dia ou 2

    Até tem uma questão ambiental, mas acredito que se nosso sistema fosse minimamente planejado, não iríamos passar por essa crise HOJE.

    Agora pra arrumar isso aí fudeu... tenho certeza que vai dar merda, mas não tenho nem pra onde ir quando isso acontecer.

  4. #4
    Senior Member Avatar de AngelluS II
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    Citação Postado originalmente por YanCurtis Ver Post
    Concordo no texto quando ele cita colapso como sinônimo de esgotamento, discordo quando ele cita que o esgotamento ocorre por uma "revanche natural" do sistema ou colapso ambiental. Isso não é assim... Estados Unidos, por exemplo, não tem tanta agua e consome MUIIITO mais que nós... os japoneses então? se viram até tirando agua de geleira e, até onde sei, estão gerindo bem o problema. Holanda tira agua da terra porque não tem muito aonde encontrar na superfície... etc

    O grande problema de SP é a ineficiência na gestão de aguas que acabou não nos preparando para esse ciclo de estiagem citado pelo autor:
    - Temos o rio Tietê e Pinheiros que cortam nossa cidade e não usamos eles porque decidimos jogar o sistema de esgoto junto com o escoamento de aguas de chuva nele...
    - Estima-se que de 30% a 40% da agua potável é desperdiçada por vazamentos e problemas no encanamento da cidade
    - Muitos prédios e casas não estão preparados com caixas d'agua para armazenamento na quantidade necessária para que fiquem com agua mesmo se cortarem o abastecimento por 1 dia ou 2

    Até tem uma questão ambiental, mas acredito que se nosso sistema fosse minimamente planejado, não iríamos passar por essa crise HOJE.

    Agora pra arrumar isso aí fudeu... tenho certeza que vai dar merda, mas não tenho nem pra onde ir quando isso acontecer.
    Mas no texto ele dá a entender que realmente o problema é de má gestão. E tem toda a razão nisso.

    Nossos governos não planejam mais, é raro você ver políticas de longo prazo em todos os níveis de governo. Alguns até planejam, mas quando ocorre a alternância de poder a primeira coisa que o novo mandatário faz é mudar as prioridades. Aí fica difícil.

    Cargos técnicos, que costumam ter uma visão melhor sobre as políticas públicas de longo prazo são desprestigiados nos órgãos públicos. Porque medidas técnicas dificilmente geram votos no curto prazo (que é o que os governantes precisam). Aí ficam apenas os "conformados que tacam o foda-se e apenas cumprem o horário e recebem salário" e os "corruptos que pensam apenas em aproveitar a bagunça para vantagens pessoais". Os técnicos qualificados e motivados normalmente acabam indo para a iniciativa privada.

    Isso no Executivo. O legislativo então está pior ainda. Cada um luta apenas por mais poder.

    O sistema político em si está corroendo o país e esse tipo de crise tem muito a ver com isso. As consequências começam a aparecer agora.

    Como eu falei em outro tópico, no Brasil as coisas só tendem a acontecer/melhorar depois que ocorrem tragédias. Isso porque só depois de tragédias que a população passa a fazer uma pressão maior nos governantes.

    Quanto a crise de água especificamente, vi um programa na GloboNews que retrata o mesmo problema na Califórnia. O governo está tendo que tomar medidas emergenciais, mas pensando também no longo prazo. Ou diminuem o consumo de água, ou o mundo acaba pra eles.

  5. #5
    Senior Member Avatar de vinicius santiago
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    Descobri hoje que já criaram uma "batalha da comunicação" também sobre o tema da água.

    "Crise de Abastecimento" joga a culpa no governo estadual, responsável pelo abastecimento de água nos municípios. É como o PT discursa.
    "Crise Hídrica" joga culpa no governo federal, responsável por gerir recursos hídricos no país todo. É como o PSDB discursa.

    Eu, independente que sou (viu @Summer R?) digo logo Colapso Hídrico porque é bem o que é.

    Como ironicamente eu li: Para o PT, a falta de água em SP e MG é culpa do governo estadual, do PSDB. A falta de água no RJ e no ES, do PMDB, aliado, é culpa de São Pedro.
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  6. #6
    Membro PANELA Avatar de MasterSpy
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    A crise é hídrica mas os governos estaduais tem culpa sim, pois a obrigação deles era já ter um plano de prevenção pois isto era previsto há anos. Entretanto, parte da culpa é do governo federal pois rios que passam por mais de um Estado são considerados rios federais, então, os dois fingiram que não tinha nada de errado e não criaram um plano de prevenção, daí hoje tem falta de água nos estados citados.


    Jogue eRevollution. Chegue ao nível 21 e se você não quiser mais jogar, te pago em gold no eRepublik.

  7. #7
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    O Rio "produz" o dobro de água que o Estado precisa, mas perde-se 50% com Vazamentos. Em SP o percentual também é bem alto, o que agrava ainda mais o problema.

    O Desmatamento/Poluição também atrapalha muito, mas o pior é mesmo a falta de planejamento/estrutura/cuidado dos Governos/Companhias Sanitárias.


    E o Texto acerta ao dizer que isso vai durar MUITO tempo.

  8. #8
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  9. #9
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    Eu ainda sou meio cético com esses discursos de "há 10 anos atrás previam que ia dar merda" porque eu sou meio rabugento com essas coisas... a história mostra que sempre tem gente pessimista pra criticar QUALQUER assunto, em qualquer lugar.

    Para sustentar melhor o que estou dizendo, a 4 anos atrás nossas represas operavam acima da capacidade máxima:
    http://www.estadao.com.br/noticias/g...sbordar,493763

    E hoje, estão secas... aí vemos que de fato teve uma queda brutal no volume de chuvas mensais desde 2013:
    http://g1.globo.com/sao-paulo/notici...cialistas.html

    O que estou querendo dizer é que o nosso sistema sempre foi precário porque sempre houve abundância de agua na cidade. Aí quando temos essa ruptura somada com uma demora para que os governos se adaptassem, deu merda.

    Reforço: o problema que estamos enfrentando é um problema de gestão, pois o sistema foi planejado de maneira antiquada e demoraram muito tempo para criarem e implementarem um plano de contingência. No cenário atual, o jeito é pilhar os estoques de agua, comprar muito desodorante ou fugir da capital:
    http://www.diariodocentrodomundo.com...tor-da-sabesp/

  10. #10
    Senior Member Avatar de vinicius santiago
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    Citação Postado originalmente por YanCurtis Ver Post
    Eu ainda sou meio cético com esses discursos de "há 10 anos atrás previam que ia dar merda" porque eu sou meio rabugento com essas coisas... a história mostra que sempre tem gente pessimista pra criticar QUALQUER assunto, em qualquer lugar.

    Para sustentar melhor o que estou dizendo, a 4 anos atrás nossas represas operavam acima da capacidade máxima:
    http://www.estadao.com.br/noticias/g...sbordar,493763

    E hoje, estão secas... aí vemos que de fato teve uma queda brutal no volume de chuvas mensais desde 2013:
    http://g1.globo.com/sao-paulo/notici...cialistas.html

    O que estou querendo dizer é que o nosso sistema sempre foi precário porque sempre houve abundância de agua na cidade. Aí quando temos essa ruptura somada com uma demora para que os governos se adaptassem, deu merda.

    Reforço: o problema que estamos enfrentando é um problema de gestão, pois o sistema foi planejado de maneira antiquada e demoraram muito tempo para criarem e implementarem um plano de contingência. No cenário atual, o jeito é pilhar os estoques de agua, comprar muito desodorante ou fugir da capital:
    http://www.diariodocentrodomundo.com...etor-da-sabesp/
    Exatamente.

    O problema é que, quando operavamos acima da capacidade, deveriam ter contingenciado. É o sujeito que tem a chance de ganhar muito dinheiro por um tempo e conta que aquilo vai ser pra sempre e não se prepara para o futuro. Quando "seca a fonte", ele tá de calça curta, cheio de coisa pra resolver.

    Mas sim, é previsível. E eu prefiro os pessimistas: tal qual o escravo que dizia a césar que ele era apenas humano, eu prefiro me preparar para o pior e não passar por ele.
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